11 de ago. de 2012

O IMPACTO DA CULTURA DIGITAL EM NOSSAS VIDAS



Fala aí, você já imaginou a sua vida sem internet? Há quem diga que sim, é possível viver sem estar on-line. Mas vamos lá, imagine-se acordando e descobrindo que o mundo não está mais conectado. Você não pode passar um e-mail, seus contatos e amigos das redes sociais se perderam e você, se quer, pode tuitar, fazer uma simples pesquisa no Google ou acessar seu perfil no Facebook. Calma, não se desespere, é só uma imaginação.
Confira a segunda parte da reportagem
Com a invenção da internet, nós entramos na chamada “cultura digital”, ou seja, um mundo novo
com novas formas de se comunicar e relacionar, tudo isso proposto por novas tecnologias que avançam
tão rapidamente como a própria velocidade da rede.

"O mundo digital é um mundo irreversível", afirma a especialista Martha Gabriel
“Cada tecnologia colocada na 
sociedade ela muda a sociedade 
logo em seguida. Hoje, nós 
temos uma nova tecnologia 
revolucionária a cada 18 
meses”, é o que diz a 
especialista em Marketing 
Digital, escritora e 
palestrante internacional 
Martha Gabriel. Segundo ela,
é impossível pensar o mundo
como o vemos hoje, sem estarmos
conectados. “Se pararmos para
pensar, nós não conseguiremos
imaginar o mundo sem eletricidade.
Eu diria que é a mesma coisa com
relação à internet”, diz Martha.
Se a internet causou uma revolução no mundo, uma outra revolução aconteceu a partir dela: o conceito
Web 2.0 com as chamadas redes sociais. Estas permitiram que nossa vida fosse compartilhada com o
mundo. Uma simples foto de um lugar bonito, nossos gostos e opiniões podem, agora, atingir milhares
de pessoas em tempo real.
“Na verdade, nós já vivíamos em rede, ou seja, todos nós já tínhamos nossos amigos 
na rua, na escola, no trabalho; mas com a Web 2.0 e as redes sociais nós temos uma 
plataforma para viver isso de forma on-line”, diz Armindo Ferreira, jornalista e
especialista em Marketing Digital.
Para muita gente, no entanto, o fenômeno das redes sociais como Twitter e Facebook
são “modinhas” que vão passar, mas não é o que pensa Armindo. Segundo o
profissional, as mídias digitais vão passar por transformações, no entanto, vieram para
ficar. “Eu, quando estudei a história da comunicação, fique imaginando como deve ter
sido impactante ver o surgimento da TV. Nós estamos assistindo ao surgimento
de uma nova mídia que vai moldar o comportamento das futuras gerações; então, não é
mais uma moda”, explica Armindo.
Para se ter uma ideia de como estas novas mídias influenciam nossa cultura cada vez mais,
em 2011, nos EUA, um em cada oito casais se conheceram nas redes sociais e se casaram.
As ditaduras do mundo árabe caíram após jovens organizarem manifestações nas páginas
do Facebook, o que ficou conhecido como a ‘primavera Árabe’. Desde 2010, as grandes
empresas mundiais têm migrado boa parte de sua publicidade para estas novas mídias.
No entanto, nem tudo é um mar de bits e amizades coloridas na internet.
Os transtornos do mundo digital
Se presenciamos o surgimento de uma nova cultura, significa que também
estamos sujeitos a conviver com os transtornos próprios deste mundo
virtual. A superexposição, a necessidade de sempre adquirir a mais nova
tecnologia e o vício em estar sempre conectado são alguns dos limites que
este mundo começa a nos apresentar.
Segundo estudos realizados pela Universidade de la Salle nos Estados 
Unidos, existem cerca de 2, 2 bilhões de usuários de internet no mundo. 
Deste número, cerca de 50 milhões podem ser considerados viciados na rede.
“A pessoa pode ser considerada viciada na internet quando ela passa a ter prejuízos
na sua vida cotidiana, porque só quer ficar on-line. Ela deixa de estudar, trabalhar e
ter um convívio social saudável para ficar na rede”, analisa a psicóloga Renata
Maransaldi, que trabalha no projeto AnjoTI, grupo que oferece ajuda às pessoas
com transtornos compulsivos como vício de jogos, compras e internet.
“A pessoa é considerada viciada em internet quando deixa de ter vida social para ficar na rede” Renata Maransaldi
Segundo a especialista, a pessoa,
muitas vezes, não se dá conta de
que está trocando as suas relações
pessoais, como convívio com a
família e com amigos, pelo mundo
cibernético. “A pessoa se programa
para ficar duas horas na internet, mas passa a ficar oito ou mais, até mesmo
o dia inteiro; então, é hora de buscar ajuda profissional”, alerta Renata.
“Eu sempre digo que rede social é espaço público, o que você não 
gostaria de fazer no mundo off-line não faça no on-line”, diz Martha
Gabriel se referindo ao comportamento que tem se tornado muito comum
nas redes: a superexposição. “Para que você fica postando, o tempo todo
na rede, o que você faz ou gosta de fazer? Talvez isto dê poder aos outros,
para que eles possam manipulá-lo no futuro”, diz a especialista.
Religião e cultura digital
Se a internet é um mundo no qual as pessoas se relacionam e compartilham
de tudo, será que há espaço para Deus neste mundo? Será que a fé e a religião
têm espaço nesta nova cultura?

"Deus está presente na rede porque o homem está aí", afirma padre Antonio Spadaro
“Sim. Deus é
presente no mundo
on-line, porque o homem
está presente aí”, diz
padre Antônio
Spadaro, doutor
em teologia da
comunicação pela
Pontifícia Universidade
Gregoriana de Roma.
Segundo o sacerdote, é
preciso mudar o
conceito de que a internet
é apenas um instrumento,
um meio de comunicação.
“Internet é um ambiente 
de vida que exprime o desejo mais antigo do homem: conhecimento e relação”, relata 
o sacerdote.
Será que nós cristãos temos testemunhado o rosto de Cristo neste mundo? Será que ainda
não estamos tímidos neste campo de missão? Uma pesquisa realizada com cristãos,
no Reino Unido, apontou que 64 % dos entrevistados usam a internet para postar conteúdos
religiosos, sendo que a faixa etária de 16 a 18 anos responde por 87% das pessoas que
evangelizam, intencionalmente, por esses meios.
“Não se trata apenas de postar conteúdos religiosos na rede, o cristão deve ser 
ele mesmo, dar testemunho de sua fé; é assim que ele evangeliza”, diz padre 
Spadaro, que ainda faz um alerta: “Hoje, particularmente hoje, a 
evangelização é testemunho”.
A internet continua mudando o mundo e nós somos os protagonistas desta
mudança. Somos testemunhas de uma novo modo de difundir a informação
e o conhecimentos. Nesta cultura que estamos vendo nascer já nos
inquietamos com algumas perguntas: como será o futuro? O que
nos reserva este mundo de inovações e tecnologias? Como viverá
as próximas gerações?
A resposta para estas indagações serão respondidas com a nossa
vivência neste mundo de hoje.

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