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16 de dez. de 2012

Justiça e caridade são necessárias e se completam, diz Papa


Justiça e caridade são necessárias e se completam, diz Papa

Jéssica Marçal
Da Redação canção nova


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' Também no nosso mundo tão complexo, as coisas andariam muito melhor se cada um observasse estas regras de conduta', destacou o Papa no Angelus
Depois de voltar da visita pastoral à paróquia romana de São Patrício no Colle Prenestino neste domingo, 16, o Papa Bento XVI reuniu-se com os fiéis presentes na Praça São Pedro para rezar o Angelus. Na ocasião, Bento XVI lembrou que as condutas de vida indicadas por João Batista no Evangelho deste domingo continuam atuais. 

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.: NA ÍNTEGRA: Angelus – 16/12/2012


“A partir do momento que Deus nos julgar segundo nossas obras, é ali, nas atitudes, que é necessário demonstrar seguir a sua vontade. E justamente por isto as indicações de Batista são sempre atuais: também no nosso mundo tão complexo, as coisas andariam muito melhor se cada um observasse estas regras de conduta”, disse o Pontífice.

Lembrando a primeira resposta que João Batista dá ao povo, quando perguntado sobre o que eles deveriam fazer, o Papa destacou que nesta é possível ver um critério de justiça, animado pela caridade.

Ele explicou que a justiça pede para superar o desequilíbrio entre quem tem o supérfluo e aquele a quem falta o necessário. Já a caridade incentiva a atenção para com o outro, ir ao encontro dos necessitados.  “Justiça e caridade não se opõem, mas são ambos necessários e se completam mutuamente”, afirmou.

Em relação à segunda resposta, dirigida aos cobradores de impostos, o Pontífice destacou que, em nome de Deus, o profeta não pede gestos excepcionais, mas sim o cumprimento honesto do próprio dever. “O primeiro passo para a vida eterna é sempre a observância dos mandamentos; neste caso, o sétimo: “Não roubar” (cfr. Es 20,15)”.

E na última resposta, aos soldados, João Batista diz para eles não tomarem dinheiro de ninguém à força e para ficarem satisfeitos com o seu próprio salário. Segundo o Papa, esta situação mostra como a conversão começa na honestidade e no respeito pelos outros. “Uma indicação que vale para todos, especialmente para quem tem maior responsabilidade”.

Depois de rezar o Angelus, Bento XVI dirigiu saudações aos peregrinos de diversas línguas. Para os de língua inglesa, ele expressou novamente seu pesar pelas vítimas do tiroteio nos EUA que causou a morte de crianças e adultos.

“Eu asseguro às famílias das vítimas, especialmente aquelas que perderam uma criança, a minha proximidade na oração. Possa o Deus da consolação tocar seus corações e aliviar a sua dor. Durante este tempo do Advento, vamos nos dedicar com mais fervor à oração e gestos de paz”. 

15 de dez. de 2012

Vocação é fruto do bom testemunho dos consagrados, diz Bento XVI


André Luiz

Da Redação notícias.cancaonova.com


Arquivo
"As vocações sacerdotais e religiosas nascem da experiência do encontro pessoal com Cristo, do diálogo sincero e familiar com Ele", diz o Papa
O Vaticano publicou neste sábado, 15, a mensagem do Papa Bento XVI para o 50º Dia Mundial de Oração pelas Vocações, que será celebrado no 4º Domingo de Páscoa, em 21 de abril de 2013. Na mensagem, o Santo Padre reflete o tema: “Vocações, sinal de esperança fundada na fé” e explica que a esperança e a fé estão unidas a uma resposta eficaz ao chamado de Cristo.
Acesse:
.: NA ÍNTEGRA: Mensagem do Papa Bento XVI para o 50º Dia Mundial de Oração pelas Vocações 2013
“Este itinerário, que torna uma pessoa capaz de acolher a chamada de Deus, é possível no âmbito de comunidades cristãs que vivem uma intensa atmosfera de fé, um generoso testemunho de adesão ao Evangelho.”
Bento XVI lembra que Cristo continua passando no dia-a-dia das pessoas chamando-as ao Seu seguimento e, que a resposta à vocação passa pela renúncia de si mesmo.
“Para acolher este convite, é preciso deixar de escolher por si mesmo o próprio caminho. Segui-Lo significa entranhar a própria vontade na vontade de Jesus, dar-Lhe verdadeiramente a precedência”
O papa ressaltou que a resposta à vocação sacerdotal ou à vida consagrada é um dos frutos mais maduros que a comunidade cristã pode oferecer e está ligado ao testemunho dos presbíteros e religiosos.
Por fim, o Pontífice dirigiu-se aos jovens, encorajando-os a responderem com generosidade aos apelos de Cristo, para uma vida totalmente entregue a Ele e aos irmãos.
“Amados jovens, não tenhais medo de O seguir e de percorrer os caminhos exigentes e corajosos da caridade e do compromisso generoso. Sereis felizes por servir, sereis testemunhas daquela alegria que o mundo não pode dar, sereis chamas vivas de um amor infinito e eterno, aprendereis a ‘dar a razão da vossa esperança’ (1 Ped 3,15).”

14 de dez. de 2012

Saiba mais sobre o trabalho da Pastoral do Migrante no Brasil


André Luiz

Da Redação Canção Nova


Arquivo
José Carlos Alves Pereira, Coordenador da Pastoral do Migrante no Brasil
Neste mês de dezembro o Papa Bento XVI convocou toda a Igreja a rezar pelos migrantes, a fim de que, em todo o mundo, eles sejam acolhidos, especialmente pelas comunidades cristãs, com generosa e autêntica caridade.
No Brasil, a situação dos migrantes que chegaram ao país nos últimos quinze anos é mais delicada do que aqueles que já estão em terras brasileiras há mais tempo, como é o caso dos italianos, espanhóis, portugueses e outros povos.

Segundo o Coordenador Nacional da Pastoral do Migrante, José Carlos Alves Pereira, uma das grandes dificuldades dos migrantes recentes é a falta de documentação e, consequentemente, a falta de emprego, devido às irregularidades de documentos. 
Diante desta realidade, a Pastoral do Migrante no Brasil, preocupada com as pessoas que vêm para o país, quase sempre sem ter com quem contar, realiza trabalhos que visam à inclusão social e à dignidade humana.
Os trabalhos da Pastoral do Migrante
A missão da Pastoral do Migrante é oferecer a essas pessoas uma acolhida digna, em nome da Igreja e dar-lhes condições de viver aqui como qualquer cidadão. 
Dentre as diversas atividades da Pastoral, José Carlos destacou as visitas de acompanhamento, as missões populares, em que são realizadas celebrações com os migrantes, e a prestação de serviços sociais.
“Muitos deles chegam e não têm com quem contar, logo, oferecemos apoio e orientação jurídica para regularizar documentação, a fim de terem acesso à escola, hospitais, creches e postos de saúde. São mais de 100 migrantes que todos os dias buscam orientação, em postos da Pastoral,” disse Carlos José. 
A Pastoral também oferece capacitação profissional – Informática, Corte e Costura, Língua Portuguesa e até Inglês. Outra forma de apoio são as iniciativas artísticas e culturais. “Esse pessoal que vem tem uma cultura muito linda e forte e que não pode ser escondida. Nós organizamos festivais de música, poesia, teatro, encontro de mostras de cultura geral, onde eles levam seus grupos folclóricos, seus corais e grupos de dança.”
O objetivo destas atividades é a inclusão social e a dignidade humana. “Uma vez que o migrante participa, tem mais condições de ser reconhecido como uma pessoa de direito, capaz de contribuir com a organização social no Brasil e de exercer todas as suas atividades como um ser humano digno.”
“A pastoral do migrante nunca olha essas pessoas como uma mão-de-obra, mas como pessoa,  um ser humano de direito, de responsabilidades, capaz de contribuir com o bem viver do país”, ressaltou José Carlos. 
Os migrantes e o medo
De acordo com José Carlos, o migrante chega ao país de destino com muitos medos e inseguranças. Primeiro, o medo do desconhecido, afinal ele parte para um lugar onde não conhece a fundo, com culturas e hábitos diferentes. Segundo, o medo institucional ou político, que é o receio de ser pego sem documentos, o que resultaria numa possível deportação. 
Além disso, há o medo do trabalho escravo. Neste o imigrante receia ficar exposto ao trabalho degradante, por falta dos documentos. Ele precisa manter-se no país, se não está documentado, é obrigado a se entregar ao trabalho opressivo e humilhante, à troca de comida ou, às vezes, apenas de hospedagem. Por fim, o medo da discriminação pelo fato de ser diferente, tido como o menor, o diminuído, como sem importância pelos nativos da terra. 
Os migrantes como intenção de oração Papa
José Carlos considera muito importante o Papa se interessar por esta causa, sobretudo em um mês em que se comemora o Dia Internacional do Migrante. De modo especial, em um contexto em que as migrações estão intensificando-se, motivadas principalmente pela fuga da pobreza, violação de direito, discriminação e xenofobia. 
“A ação do Papa de rezar pelos migrantes vem para sensibilizar a comunidade, as autoridades políticas e as pessoas em geral, a acolherem de forma digna esses migrantes. A oração consegue falar com mais força aos nossos corações. Propor-se a rezar pelos migrantes tem esse significado humanitário e político muito forte!”

Mensagem do Papa para o Dia Mundial da Paz 2013 - 14/12/12


Rádio Vaticano


MENSAGEM
DIA MUNDIAL DA PAZ
1º DE JANEIRO DE 2013
BEM-AVENTURADOS OS OBREIROS DA PAZ

1. Cada ano novo traz consigo a expectativa de um mundo melhor. Nesta perspectiva, peço a Deus, Pai da humanidade, que nos conceda a concórdia e a paz a fim de que possam tornar-se realidade, para todos, as aspirações duma vida feliz e próspera.

À distância de 50 anos do início do Concílio Vaticano II, que permitiu dar mais força à missão da Igreja no mundo, anima constatar como os cristãos, Povo de Deus em comunhão com Ele e caminhando entre os homens, se comprometem na história compartilhando alegrias e esperanças, tristezas e angústias, anunciando a salvação de Cristo e promovendo a paz para todos.

Na realidade o nosso tempo, caracterizado pela globalização, com seus aspectos positivos e negativos, e também por sangrentos conflitos ainda em curso e por ameaças de guerra, requer um renovado e concorde empenho na busca do bem comum, do desenvolvimento de todo o homem e do homem todo.

Causam apreensão os focos de tensão e conflito causados por crescentes desigualdades entre ricos e pobres, pelo predomínio duma mentalidade egoísta e individualista que se exprime inclusivamente por um capitalismo financeiro desregrado. Além de variadas formas de terrorismo e criminalidade internacional, põem em perigo a paz aqueles fundamentalismos e fanatismos que distorcem a verdadeira natureza da religião, chamada a favorecer a comunhão e a reconciliação entre os homens.

E no entanto as inúmeras obras de paz, de que é rico o mundo, testemunham a vocação natural da humanidade à paz. Em cada pessoa, o desejo de paz é uma aspiração essencial e coincide, de certo modo, com o anelo por uma vida humana plena, feliz e bem sucedida. Por outras palavras, o desejo de paz corresponde a um princípio moral fundamental, ou seja, ao dever-direito de um desenvolvimento integral, social, comunitário, e isto faz parte dos desígnios que Deus tem para o homem. Na verdade, o homem é feito para a paz, que é dom de Deus.

Tudo isso me sugeriu buscar inspiração, para esta Mensagem, às palavras de Jesus Cristo: «Bem--aventurados os obreiros da paz, porque serão chamados filhos de Deus» (Mt 5, 9).

A bem-aventurança evangélica
2. As bem-aventuranças proclamadas por Jesus (cf. Mt 5, 3-12; Lc 6, 20-23) são promessas. Com efeito, na tradição bíblica, a bem-aventurança é um género literário que traz sempre consigo uma boa nova, ou seja um evangelho, que culmina numa promessa. Assim, as bem-aventuranças não são meras recomendações morais, cuja observância prevê no tempo devido – um tempo localizado geralmente na outra vida – uma recompensa, ou seja, uma situação de felicidade futura; mas consistem sobretudo no cumprimento duma promessa feita a quantos se deixam guiar pelas exigências da verdade, da justiça e do amor. Frequentemente, aos olhos do mundo, aqueles que confiam em Deus e nas suas promessas aparecem como ingénuos ou fora da realidade; ao passo que Jesus lhes declara que já nesta vida – e não só na outra – se darão conta de serem filhos de Deus e que, desde o início e para sempre, Deus está totalmente solidário com eles. Compreenderão que não se encontram sozinhos, porque Deus está do lado daqueles que se comprometem com a verdade, a justiça e o amor. Jesus, revelação do amor do Pai, não hesita em oferecer-Se a Si mesmo em sacrifício. Quando se acolhe Jesus Cristo, Homem-Deus, vive-se a jubilosa experiência de um dom imenso: a participação na própria vida de Deus, isto é, a vida da graça, penhor duma vida plenamente feliz. De modo particular, Jesus Cristo dá-nos a paz verdadeira, que nasce do encontro confiante do homem com Deus.

A bem-aventurança de Jesus diz que a paz é, simultaneamente, dom messiânico e obra humana. Na verdade, a paz pressupõe um humanismo aberto à transcendência; é fruto do dom recíproco, de um mútuo enriquecimento, graças ao dom que provém de Deus e nos permite viver com os outros e para os outros. A ética da paz é uma ética de comunhão e partilha. Por isso, é indispensável que as várias culturas de hoje superem antropologias e éticas fundadas sobre motivos teorico-práticos meramente subjectivistas e pragmáticos, em virtude dos quais as relações da convivência se inspiram em critérios de poder ou de lucro, os meios tornam-se fins, e vice-versa, a cultura e a educação concentram-se apenas nos instrumentos, na técnica e na eficiência. Condição preliminar para a paz é o desmantelamento da ditadura do relativismo e da apologia duma moral totalmente autónoma, que impede o reconhecimento de quão imprescindível seja a lei moral natural inscrita por Deus na consciência de cada homem. A paz é construção em termos racionais e morais da convivência, fundando-a sobre um alicerce cuja medida não é criada pelo homem, mas por Deus. Como lembra o Salmo 29, « o Senhor dá força ao seu povo; o Senhor abençoará o seu povo com a paz » (v. 11).

A paz: dom de Deus e obra do homem
3. A paz envolve o ser humano na sua integridade e supõe o empenhamento da pessoa inteira: é paz com Deus, vivendo conforme à sua vontade; é paz interior consigo mesmo, e paz exterior com o próximo e com toda a criação. Como escreveu o Beato João XXIII na Encíclica Pacem in terris – cujo cinquentenário terá lugar dentro de poucos meses –, a paz implica principalmente a construção duma convivência humana baseada na verdade, na liberdade, no amor e na justiça.A negação daquilo que constitui a verdadeira natureza do ser humano, nas suas dimensões essenciais, na sua capacidade intrínseca de conhecer a verdade e o bem e, em última análise, o próprio Deus, põe em perigo a construção da paz. Sem a verdade sobre o homem, inscrita pelo Criador no seu coração, a liberdade e o amor depreciam-se, a justiça perde a base para o seu exercício.

Para nos tornarmos autênticos obreiros da paz, são fundamentais a atenção à dimensão transcendente e o diálogo constante com Deus, Pai misericordioso, pelo qual se implora a redenção que nos foi conquistada pelo seu Filho Unigénito. Assim o homem pode vencer aquele germe de obscurecimento e negação da paz que é o pecado em todas as suas formas: egoísmo e violência, avidez e desejo de poder e domínio, intolerância, ódio e estruturas injustas.

A realização da paz depende sobretudo do reconhecimento de que somos, em Deus, uma única família humana. Esta, como ensina a Encíclica Pacem in terris, está estruturada mediante relações interpessoais e instituições sustentadas e animadas por um «nós» comunitário, que implica uma ordem moral, interna e externa, na qual se reconheçam sinceramente, com verdade e justiça, os próprios direitos e os próprios deveres para com os demais. A paz é uma ordem de tal modo vivificada e integrada pelo amor, que se sentem como próprias as necessidades e exigências alheias, que se fazem os outros comparticipantes dos próprios bens e que se estende sempre mais no mundo a comunhão dos valores espirituais. É uma ordem realizada na liberdade, isto é, segundo o modo que corresponde à dignidade de pessoas que, por sua própria natureza racional, assumem a responsabilidade do próprio agir.

A paz não é um sonho, nem uma utopia; a paz é possível. Os nossos olhos devem ver em profundidade, sob a superfície das aparências e dos fenómenos, para vislumbrar uma realidade positiva que existe nos corações, pois cada homem é criado à imagem de Deus e chamado a crescer contribuindo para a edificação dum mundo novo. Na realidade, através da encarnação do Filho e da redenção por Ele operada, o próprio Deus entrou na história e fez surgir uma nova criação e uma nova aliança entre Deus e o homem (cf. Jr 31, 31-34), oferecendo-nos a possibilidade de ter « um coração novo e um espírito novo » (cf. Ez 36, 26).

Por isso mesmo, a Igreja está convencida de que urge um novo anúncio de Jesus Cristo, primeiro e principal factor do desenvolvimento integral dos povos e também da paz. Na realidade, Jesus é a nossa paz, a nossa justiça, a nossa reconciliação (cf. Ef 2, 14; 2 Cor 5, 18). O obreiro da paz, segundo a bem--aventurança de Jesus, é aquele que procura o bem do outro, o bem pleno da alma e do corpo, no tempo presente e na eternidade.

A partir deste ensinamento, pode-se deduzir que cada pessoa e cada comunidade – religiosa, civil, educativa e cultural – é chamada a trabalhar pela paz. Esta consiste, principalmente, na realização do bem comum das várias sociedades, primárias e intermédias, nacionais, internacionais e a mundial. Por isso mesmo, pode-se supor que os caminhos para a implementação do bem comum sejam também os caminhos que temos de seguir para se obter a paz.

Obreiros da paz são aqueles que amam,defendem e promovem a vida na sua integridade
4. Caminho para a consecução do bem comum e da paz é, antes de mais nada, o respeito pela vida humana, considerada na multiplicidade dos seus aspectos, a começar da concepção, passando pelo seu desenvolvimento até ao fim natural. Assim, os verdadeiros obreiros da paz são aqueles que amam, defendem e promovem a vida humana em todas as suas dimensões: pessoal, comunitária e transcendente. A vida em plenitude é o ápice da paz. Quem deseja a paz não pode tolerar atentados e crimes contra a vida.

Aqueles que não apreciam suficientemente o valor da vida humana, chegando a defender, por exemplo, a liberalização do aborto, talvez não se dêem conta de que assim estão a propor a prossecução duma paz ilusória. A fuga das responsabilidades, que deprecia a pessoa humana, e mais ainda o assassinato de um ser humano indefeso e inocente nunca poderão gerar felicidade nem a paz. Na verdade, como se pode pensar em realizar a paz, o desenvolvimento integral dos povos ou a própria salvaguarda do ambiente, sem estar tutelado o direito à vida dos mais frágeis, a começar pelos nascituros? Qualquer lesão à vida, de modo especial na sua origem, provoca inevitavelmente danos irreparáveis ao desenvolvimento, à paz, ao ambiente. Tão pouco é justo codificar ardilosamente falsos direitos ou opções que, baseados numa visão redutiva e relativista do ser humano e com o hábil recurso a expressões ambíguas tendentes a favorecer um suposto direito ao aborto e à eutanásia, ameaçam o direito fundamental à vida.

Também a estrutura natural do matrimónio, como união entre um homem e uma mulher, deve ser reconhecida e promovida contra as tentativas de a tornar, juridicamente, equivalente a formas radicalmente diversas de união que, na realidade, a prejudicam e contribuem para a sua desestabilização, obscurecendo o seu carácter peculiar e a sua insubstituível função social.

Estes princípios não são verdades de fé, nem uma mera derivação do direito à liberdade religiosa; mas estão inscritos na própria natureza humana – sendo reconhecíveis pela razão – e consequentemente comuns a toda a humanidade. Por conseguinte, a acção da Igreja para os promover não tem carácter confessional, mas dirige-se a todas as pessoas, independentemente da sua filiação religiosa. Tal acção é ainda mais necessária quando estes princípios são negados ou mal entendidos, porque isso constitui uma ofensa contra a verdade da pessoa humana, uma ferida grave infligida à justiça e à paz.

Por isso, uma importante colaboração para a paz é dada também pelos ordenamentos jurídicos e a administração da justiça quando reconhecem o direito ao uso do princípio da objecção de consciência face a leis e medidas governamentais que atentem contra a dignidade humana, como o aborto e a eutanásia.

Entre os direitos humanos basilares mesmo para a vida pacífica dos povos, conta-se o direito dos indivíduos e comunidades à liberdade religiosa. Neste momento histórico, torna-se cada vez mais importante que este direito seja promovido não só negativamente, como liberdade de – por exemplo, de obrigações e coacções quanto à liberdade de escolher a própria religião –, mas também positivamente, nas suas várias articulações, como liberdade para: por exemplo, para testemunhar a própria religião, anunciar e comunicar a sua doutrina; para realizar actividades educativas, de beneficência e de assistência que permitem aplicar os preceitos religiosos; para existir e actuar como organismos sociais, estruturados de acordo com os princípios doutrinais e as finalidades institucionais que lhe são próprias. Infelizmente vão-se multiplicando, mesmo em países de antiga tradição cristã, os episódios de intolerância religiosa, especialmente contra o cristianismo e aqueles que se limitam a usar os sinais identificadores da própria religião.

O obreiro da paz deve ter presente também que as ideologias do liberalismo radical e da tecnocracia insinuam, numa percentagem cada vez maior da opinião pública, a convicção de que o crescimento económico se deve conseguir mesmo à custa da erosão da função social do Estado e das redes de solidariedade da sociedade civil, bem como dos direitos e deveres sociais. Ora, há que considerar que estes direitos e deveres são fundamentais para a plena realização de outros, a começar pelos direitos civis e políticos.

E, entre os direitos e deveres sociais actualmente mais ameaçados, conta-se o direito ao trabalho. Isto é devido ao facto, que se verifica cada vez mais, de o trabalho e o justo reconhecimento do estatuto jurídico dos trabalhadores não serem adequadamente valorizados, porque o crescimento económico dependeria sobretudo da liberdade total dos mercados. Assim o trabalho é considerado uma variável dependente dos mecanismos económicos e financeiros. A propósito disto, volto a afirmar que não só a dignidade do homem mas também razões económicas, sociais e políticas exigem que se continue « a perseguir como prioritário o objectivo do acesso ao trabalho para todos, ou da sua manutenção ».4 Para se realizar este ambicioso objectivo, é condição preliminar uma renovada apreciação do trabalho, fundada em princípios éticos e valores espirituais, que revigore a sua concepção como bem fundamental para a pessoa, a família, a sociedade. A um tal bem corresponde um dever e um direito, que exigem novas e ousadas políticas de trabalho para todos.

Construir o bem da paz através de um novo modelo de desenvolvimento e de economia
5. De vários lados se reconhece que, hoje, é necessário um novo modelo de desenvolvimento e também uma nova visão da economia. Quer um desenvolvimento integral, solidário e sustentável, quer o bem comum exigem uma justa escala de bens-valores, que é possível estruturar tendo Deus como referência suprema. Não basta ter à nossa disposição muitos meios e muitas oportunidades de escolha, mesmo apreciáveis; é que tanto os inúmeros bens em função do desenvolvimento como as oportunidades de escolha devem ser empregues de acordo com a perspectiva duma vida boa, duma conduta recta, que reconheça o primado da dimensão espiritual e o apelo à realização do bem comum. Caso contrário, perdem a sua justa valência, acabando por erguer novos ídolos.

Para sair da crise financeira e económica actual, que provoca um aumento das desigualdades, são necessárias pessoas, grupos, instituições que promovam a vida, favorecendo a criatividade humana para fazer da própria crise uma ocasião de discernimento e de um novo modelo económico. O modelo que prevaleceu nas últimas décadas apostava na busca da maximização do lucro e do consumo, numa óptica individualista e egoísta que pretendia avaliar as pessoas apenas pela sua capacidade de dar resposta às exigências da competitividade. Olhando de outra perspectiva, porém, o sucesso verdadeiro e duradouro pode ser obtido com a dádiva de si mesmo, dos seus dotes intelectuais, da própria capacidade de iniciativa, já que o desenvolvimento económico suportável, isto é, autenticamente humano tem necessidade do princípio da gratuidade como expressão de fraternidade e da lógica do dom. Concretamente na actividade económica, o obreiro da paz aparece como aquele que cria relações de lealdade e reciprocidade com os colaboradores e os colegas, com os clientes e os usuários. Ele exerce a actividade económica para o bem comum, vive o seu compromisso como algo que ultrapassa o interesse próprio, beneficiando as gerações presentes e futuras. Deste modo sente-se a trabalhar não só para si mesmo, mas também para dar aos outros um futuro e um trabalho dignos.

No âmbito econômico, são necessárias – especialmente por parte dos Estados – políticas de desenvolvimento industrial e agrícola que tenham a peito o progresso social e a universalização de um Estado de direito e democrático. Fundamental e imprescindível é também a estruturação ética dos mercados monetário, financeiro e comercial; devem ser estabilizados e melhor coordenados e controlados, de modo que não causem dano aos mais pobres. A solicitude dos diversos obreiros da paz deve ainda concentrar-se – com mais determinação do que tem sido feito até agora – na consideração da crise alimentar, muito mais grave do que a financeira. O tema da segurança das provisões alimentares voltou a ser central na agenda política internacional, por causa de crises relacionadas, para além do mais, com as bruscas oscilações do preço das matérias--primas agrícolas, com comportamentos irresponsáveis por parte de certos agentes económicos e com um controle insuficiente por parte dos Governos e da comunidade internacional. Para enfrentar semelhante crise, os obreiros da paz são chamados a trabalhar juntos em espírito de solidariedade, desde o nível local até ao internacional, com o objectivo de colocar os agricultores, especialmente nas pequenas realidades rurais, em condições de poderem realizar a sua actividade de modo digno e sustentável dos pontos de vista social, ambiental e económico.

Educação para uma cultura da paz:o papel da família e das instituições
6. Desejo veementemente reafirmar que os diversos obreiros da paz são chamados a cultivar a paixão pelo bem comum da família e pela justiça social, bem como o empenho por uma válida educação social.

Ninguém pode ignorar ou subestimar o papel decisivo da família, célula básica da sociedade, dos pontos de vista demográfico, ético, pedagógico, económico e político. Ela possui uma vocação natural para promover a vida: acompanha as pessoas no seu crescimento e estimula-as a enriquecerem-se entre si através do cuidado recíproco. De modo especial, a família cristã guarda em si o primordial projecto da educação das pessoas segundo a medida do amor divino. A família é um dos sujeitos sociais indispensáveis para a realização duma cultura da paz. É preciso tutelar o direito dos pais e o seu papel primário na educação dos filhos, nomeadamente nos âmbitos moral e religioso. Na família, nascem e crescem os obreiros da paz, os futuros promotores duma cultura da vida e do amor.

Nesta tarefa imensa de educar para a paz, estão envolvidas de modo particular as comunidades dos crentes. A Igreja toma parte nesta grande responsabilidade através da nova evangelização, que tem como pontos de apoio a conversão à verdade e ao amor de Cristo e, consequentemente, o renascimento espiritual e moral das pessoas e das sociedades. O encontro com Jesus Cristo plasma os obreiros da paz, comprometendo-os na comunhão e na superação da injustiça.

Uma missão especial em prol da paz é desempenhada pelas instituições culturais, escolásticas e universitárias. Delas se requer uma notável contribuição não só para a formação de novas gerações de líderes, mas também para a renovação das instituições públicas, nacionais e internacionais. Podem também contribuir para uma reflexão científica que radique as actividades económicas e financeiras numa sólida base antropológica e ética. O mundo actual, particularmente o mundo da política, necessita do apoio dum novo pensamento, duma nova síntese cultural, para superar tecnicismos e harmonizar as várias tendências políticas em ordem ao bem comum. Este, visto como conjunto de relações interpessoais e instituições positivas ao serviço do crescimento integral dos indivíduos e dos grupos, está na base de toda a verdadeira educação para a paz.

Uma pedagogia do obreiro da paz
7. Concluindo, há necessidade de propor e promover uma pedagogia da paz. Esta requer uma vida interior rica, referências morais claras e válidas, atitudes e estilos de vida adequados. Com efeito, as obras de paz concorrem para realizar o bem comum e criam o interesse pela paz, educando para ela. Pensamentos, palavras e gestos de paz criam uma mentalidade e uma cultura da paz, uma atmosfera de respeito, honestidade e cordialidade. Por isso, é necessário ensinar os homens a amarem-se e educarem-se para a paz, a viverem mais de benevolência que de mera tolerância. Incentivo fundamental será « dizer não à vingança, reconhecer os próprios erros, aceitar as desculpas sem as buscar e, finalmente, perdoar »,7 de modo que os erros e as ofensas possam ser verdadeiramente reconhecidos a fim de caminhar juntos para a reconciliação. Isto requer a difusão duma pedagogia do perdão. Na realidade, o mal vence-se com o bem, e a justiça deve ser procurada imitando a Deus Pai que ama todos os seus filhos (cf. Mt 5, 21-48). É um trabalho lento, porque supõe uma evolução espiritual, uma educação para os valores mais altos, uma visão nova da história humana. É preciso renunciar à paz falsa, que prometem os ídolos deste mundo, e aos perigos que a acompanham; refiro-me à paz que torna as consciências cada vez mais insensíveis, que leva a fechar-se em si mesmo, a uma existência atrofiada vivida na indiferença. Ao contrário, a pedagogia da paz implica serviço, compaixão, solidariedade, coragem e perseverança.

Jesus encarna o conjunto destas atitudes na sua vida até ao dom total de Si mesmo, até «perder a vida» (cf. Mt 10, 39; Lc 17, 33; Jo 12, 25). E promete aos seus discípulos que chegarão, mais cedo ou mais tarde, a fazer a descoberta extraordinária de que falamos no início: no mundo, está presente Deus, o Deus de Jesus Cristo, plenamente solidário com os homens. Neste contexto, apraz-me lembrar a oração com que se pede a Deus para fazer de nós instrumentos da sua paz, a fim de levar o seu amor onde há ódio, o seu perdão onde há ofensa, a verdadeira fé onde há dúvida. Por nossa vez pedimos a Deus, juntamente com o Beato João XXIII, que ilumine os responsáveis dos povos para que, junto com a solicitude pelo justo bem-estar dos próprios concidadãos, garantam e defendam o dom precioso da paz; inflame a vontade de todos para superarem as barreiras que dividem, reforçarem os vínculos da caridade mútua, compreenderem os outros e perdoarem aos que lhes tiverem feito injúrias, de tal modo que, em virtude da sua acção, todos os povos da terra se tornem irmãos e floresça neles e reine para sempre a tão suspirada paz.

Com esta invocação, faço votos de que todos possam ser autênticos obreiros e construtores da paz, para que a cidade do homem cresça em concórdia fraterna, na prosperidade e na paz.

Vaticano, 8 de Dezembro de 2012.

12 de dez. de 2012

Mensagem do Papa para Dia Mundial da Paz será divulgada sexta-feira


Da Redação, com Rádio Vaticano


A mensagem do Papa Bento XVI para o Dia Mundial da Paz 2013 será apresentada em coletiva nesta sexta-feira, 14, na Sala de Imprensa do Vaticano.

O Dia Mundial da Paz é celebrado em 1º de janeiro e esta 46ª edição tem como tema “Bem-aventurados os construtores da paz”.

Os Cardeais Peter Turkson, Presidente do Pontifício Conselho Justiça e Paz e Dom Mario Toso, secretário do mesmo dicastério, conduzirão a coletiva de imprensa.

A mensagem para o Dia Mundial da Paz 2013 deverá abordar a plenitude e a multiplicidade do conceito de paz a partir do ser humano: paz interior e paz exterior.

Desde que foi eleito Pontífice, em abril de 2005, Bento XVI escolheu como temas para esta celebração anual a verdade, a dignidade da pessoa, a unidade da família humana, o combate contra a pobreza, o meio ambiente, a liberdade religiosa e os jovens.

Primeiras mensagens do Papa Bento XVI no Twitter


Especialista em Comunicação analisa presença do Papa no twitter


Da Redação, com Rádio Vaticano


Arquivo
'Eu diria que a Igreja sempre foi muito atenta em relação à comunicação', destacou padre Spadaro
Na audiência geral desta quarta-feira, 12, Festa de Nossa Senhora de Guadalupe, o Papa Bento XVI fez sua primeira postagem no twitter.

Segundo o assessor do Pontifício Conselho para as Comunicações Sociais, Padre Antonio Spadaro, a presença do Papa no Twitter incentiva os católicos a estarem presentes no ambiente digital e para ele este é um elemento de reflexão fundamental.

Rádio Vaticano - Qual significado da presença de Bento XVI no Twitter?

Padre Spadaro - Eu entendo esta presença como uma presença normal, hoje é claro que a comunicação não coincide com a simples transmissão de uma mensagem, mas com a partilha desta em redes sociais. E no Magistério de Bento XVI sobre a comunicação este elemento é um elemento chave que deve ser lido muito bem. A Igreja sabe que hoje as mensagens de sentido passam através das redes sociais, que são verdadeiros lugares de sentido, onde as pessoas partilham suas vidas, desejos, impressões, perguntas e respostas. Assim, a presença o Papa no Twitter é uma presença que eu vejo como uma continuidade com a presença do Papa em instrumentos como a rádio, como a decisão de Pio XI de transmitir a mensagem do Evangelho através da Rádio Vaticano. Eu diria que a Igreja sempre foi muito atenta em relação à comunicação, porque o Evangelho deve ser encarnado no tecido comunicativo da história.

Rádio Vaticano - Alguém se referiu ao fato de que algumas pessoas estão usando o Twitter para ofender o Papa, para ofender a fé cristã. O senhor acha que essa iniciativa seja muito arriscada?

Padre Spadaro - Claro que é arriscada, porque significa expor a mensagem do Evangelho. Em todo o caso, isso é essencial. Quem comenta negativamente o fato de que existam várias mensagens polêmicas contra o Papa provavelmente não percebeu que, na verdade elas estão em toda parte na internet, e também nos jornais, e em muitas formas de expressão. Há também algumas perguntas muito interessantes que são feitas ao pontífice. Eu diria que é uma etapa num caminho de crescimento, mas não vejo como problemática.

Fonte: http://noticias.cancaonova.com

Bento XVI faz sua primeira postagem no twitter


Twitter do Papa

Na audiência geral desta quarta-feira (12), Festa de Nossa Senhora de Guadalupe, o Papa Bento XVI fez sua primeira postagem no twitter.

“Queridos amigos, é com alegria que entro em contato convosco via twitter. Obrigado pela resposta generosa. De coração vos abençoo a todos”, diz a mensagem do Santo Padre.

Em outro ‘‘tweet’, o Pontífice pergunta como os fiéis podem viver melhor o Ano da Fé no dia a dia.

Ainda na rede social, Bento XVI recomenda que possamos dialogar com Jesus na oração, escutar Jesus que te fala no Evangelho e encontrar Jesus que está presente nas pessoas que passam necessidade.

O endereço do twitter do Papa Bento XVI é twitter.com/Pontifex_pt






Vida do Papa Bento XVI chegará ao cinema


IGREJA NO MUNDO

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A Odeon Film anunciou em Munich (Alemanha), que em 2014 iniciará a filmagem de um filme sobre a vida e a obra de Joseph Ratzinger, o Papa Bento XVI, e que terá como base a biografia escrita pelo jornalista Peter Seewald que será publicada esse ano.

Conforme se informou, Odeon Film assinou um acordo com o H&V Entertainment e com Peter Weckert para a realização do filme.

Seewald publicou vários livros de entrevistas com o então Cardeal Joseph Ratzinger, como "Sal da terra" e "Deus e o mundo". Posteriormente publicou em 2012, "Luz do mundo", livro traduzido a mais de 30 idiomas.

Segundo Odeon Film e H&V Entertainment, Peter Seewald será membro da equipe de produção como consultor do roteiro e da escritura. O filme partirá de 1927, ano do nascimento de Joseph Ratzinger, até seus primeiros anos como Papa.

Foto: ACI Digital